Os mais de 50 anos da trajetória da cantora Rita Lee, desde a sua passagem pelos Mutantes até a sua bem-sucedida carreira solo, estão registrados no livro "Rita Lee Mora ao Lado", de Henrique Bartsch, obra que deve ser adaptada para o teatro ainda no segundo semestre. Pelo menos é o que garante o produtor carioca Márcio Macena.
Porém, ainda há muito a ser feito. Apesar de ter sido noticiado por vários jornais de circulação nacional, o musical ainda não tem verba e o roteiro sequer existe.
Henrique Bartsch era um músico conhecido em Ribeirão Preto, fundador do Grupo Nós, banda que conheceu o sucesso nos anos 1980. O artista faleceu no dia 2 de dezembro do ano passado, aos 60 anos, depois de uma parada cardíaca.
A direção será feita por Debora Dubois e a produção musical, que seria feita pelo próprio Henrique, passou para as mãos de Paulinho Moska. Macena revela que conversou com Henrique Bartsch durante três anos e só no final 2011, pouco antes da morte do músico/escritor, os dois acertaram "verbalmente" os detalhes.
"Me encontrei com Henrique no ano passado e decidimos começar. Infelizmente, logo em seguida ele faleceu e acabamos dando um tempo na produção", conta.
Mensagens
Bartsch lançou "Rita Lee Mora ao Lado" em 2006, depois de mais de três anos trocando e-mails com a cantora, segundo Caetano Bartsch, filho do músico. Foi dessa troca de mensagens virtuais que Henrique descobriu particularidades e curiosidades sobre Rita e resolveu registrar tudo no livro que tem como subtítulo "Uma biografia alucinada da Rainha do Rock".
Não foi fácil convencer a ruiva sobre a publicação da biografia. A artista, que divulgou a sua aposentadoria dos palcos, teria declarado que "biografia é coisa de quem já morreu", mas Henrique tratou de arrumar um jeito de convencê-la.
"Ele fugiu da didática e preferiu mesclar a história real com a ficção e ela achou o estilo inovador", conta Caetano Bartsch.
Henrique criou Bárbara Farniente, uma vizinha fictícia que serviu de artifício literário para narrar a biografia.
Montagem
Embora o musical já tenha data de estreia - final de outubro - a produção caminha a passos lentos. Sem dinheiro nem roteiro, Macena diz que ideias não faltam, mas ainda não tem nada definido.
"Ainda não buscamos recursos para a produção, mas acreditamos que não vai ser difícil conseguir", explica.
Ele afirma que o peso da obra de Rita Lee vai ajudar na captação de recursos.
"Temos clientes e parceiros antigos, vamos começar a buscar patrocínio com eles", completa.
Baseada na biografia escrita por Henrique Bartsch, a adaptação deve fazer um passeio sobre a história de Rita Lee, começando pela participação na banda Os Mutantes, na época da efervescência do Tropicalismo. A ficha técnica com os atores já está praticamente fechada, informa Macena.
Os atores convidados para compor o musical vão encarnar nomes de peso como Arnaldo Batista, Liminha, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Nelson Motta, Gal Costa, entre outros.
O papel principal poderá ser interpretado pela atriz Mel Lisboa, que declarou à imprensa que está estudando canto e violão. Outra convidada é a atriz Daniele Valente, que fará o papel de Bárbara Farniente, a vizinha fictícia.
Homenagem
Para Caetano Bartsch, a adaptação é importante não só para a música nacional, mas principalmente para Ribeirão Preto.
"É o reconhecimento de um projeto grandioso, justamente por ter sido escrito por alguém de uma cidade ‘interiorana’. É uma forma de registrar a memória do meu pai", pontua.
Os direitos autorais da peça ainda não foram negociados, pois, de acordo com Caetano, se encontram sob a responsabilidade da agente de Henrique, que estaria fora do Brasil.
Mas o contrato entre Caetano e Maceno deve ser acertado em breve. A produção garante que, se tudo correr bem, a peça deve rodar o país e passar por Ribeirão.
Caetano considera a peça uma homenagem e espera que o roteiro seja fiel ao livro de seu pai.
"Segundo o produtor, o roteiro será o mais fiel possível e vai manter a visão inicial do livro", finaliza.
Estou apavorado com a reação dos internautas ao que aconteceu com Rita Lee em Aracaju. A maioria dos comentários que leio por aí são veementemente contrários à cantora. Rita é chamada de criminosa e incitadora à desordem pública, e comparada até mesmo a assassinos e pedófilos. Menos, né, gente?
Para alguém com tantos anos de estrada como eu, este é só mais um sinal de como nosso país encaretou nos últimos anos. A cultura brasileira se tornou mais conservadora, mais tradicional, muito menos transgressora.
Quando foi que isto começou? Em meados dos anos 90, com a ascensão de Sandy e Junior? A dupla mirim pregava abertamente as virtudes da castidade. Hoje adulta e casada, Sandy não consegue se livrar da imagem de santinha. Qualquer declaração sua é imediatamente "trollada" na blogosfera.
Sandy e Junior são apenas um sintoma, claro. Podemos apontar várias causas para esta virada conservadora: o crescimento da classe C, a partir do plano Real; a ascensão das igrejas evangélicas; uma reação natural à "libertinagem" dos anos 60 e 70; a disseminação da AIDS, e assim por diante.
Muitas pesquisas comprovam que o jovem brasileiro de hoje é mesmo mais conservador que o de algumas décadas atrás. Poucos pensam em estilos alternativos de vida: a maioria quer ganhar dinheiro logo, se casar e ter 2.3 filhos, como nos comerciais de margarina.
Essa garotada não viveu sob a ditadura militar, então não sabe o que é repressão para valer. Além do mais, a internet permite que neguinho dê vazão a seus instintos autoritários numa boa, protegido pela rapidez e pelo anonimato.
Ao meu ver, Rita Lee encerrou com chave de ouro sua carreira nos palcos. Sua reação à ação dos policiais que achacavam o público de seu show em Aracaju foi emocional e exagerada, sim, mas totalmente coerente com sua trajetória. Rita teve inúmeros precalços com a polícia ao longo da carreira e é natural que sinta "paranoia", como ela mesma disse, ao ver tanta polícia misturada à sua plateia.
Não, não acho que só pelo fato de ser artista ela tenha o direito de dizer qualquer coisa. A lei vale para todos. Mas também acho a reação da polícia sergipana foi absurdamente desproporcional: pelo que contou Roberto de Carvalho em seu perfil no Facebook (que é liberado para todo mundo), ele e Rita foram praticamente sequestrados à saída do show, num ato claro de intimidação. Parece que até o Estatuto do Idoso foi violado (Rita tem 67 anos).
Mas para mim o mais apavorante nem é a reação truculenta da polícia. É o coro de apoio que ela vem recebendo na internet, como se Rita Lee fosse membro da al-Qaeda ou coisa que o valha. Não é, gente: é uma roqueira das antigas, que mantém o espírito libertário e desafiador, não uma cantorazinha pré-fabricada e sem ideias na cabeça.
Mas muitas pessoas não entendem assim. Tenho medo, muito medo deste Brasil caretão que está surgindo.
Publicado em: 25/01/2012 12:42:45
Rita Lee deve fazer último show da carreira no Verão Sergipe
“Aposento-me de shows, da música nunca”. Foi com essas palavras que a rainha do rock nacional, Rita Lee, declarou em seu Twitter que não deverá mais subir aos palcos. Mas, para os fãs de carteirinha, na agenda oficial da cantora ainda resta uma data: 28 de Janeiro, Atalaia Nova, durante o Verão Sergipe 2012. Ao som de clássicos como ‘Doce Vampiro’, ‘Vírus do Amor’, ‘Banho de espuma’, dentre tantos outros, Rita Lee promete presentear o público do Verão Sergipe com um grande show, que certamente ficará marcado na história do rock nacional.
A cantora anunciou pela primeira vez a despedida dos palcos no último dia 21, durante show no Rio de Janeiro. Rita Lee confirmou a informação no Twitter e garantiu aos fãs: “Aposentar dos palcos não significa parar de cantar, au contraire, vou ser rato de estúdio, tenho material para gravar mais cinco discos de inéditas”. Aos 67 anos, a rainha do rock disse, no dia seguinte ao show que fez no Rio, que um dos motivos de sua aposentadoria seria a sua “fragilidade física”.
Frágil ou não, a simpatia e a irreverência de Rita Lee é o que não vai faltar neste que deve ser o seu último show de sua carreira para um grande público. Assim que aportar na praia de Atalaia Nova, a rainha do rock irá levar sergipanos e turistas ao delírio com hits como ‘Ovelha Negra’, ‘Agora Só Falta Você’, ‘Mania de Você’, e muito mais.